Música, Razão e/ou Emoção

Horácio Tomé Marques’s PhD thesis, Música, Razão e/ou Emoção, which I had the pleasure of supervising, is now published at the repository of the University of Porto.

Este projeto toma música, razão e emoção como trinómio ponto-de-partida para o estudo, reflexão e construção crítica sobre o cérebro qua sistema dinâmico racional e sensorial, orquestrado e interativo, no contexto ecológico da manifestação artística. Usa o fenómeno elétrico do cérebro e o método da eletroencefalografia baseada em interface cérebro-computador enquanto sistema que, potencialmente, permite a descodificação, e uso instrumental, de experiências, estados e atos cerebrais como emoções e decisões razoadas.

Alinha por dois regimes: um, de suporte, ancorado nas neurociências, e outro, fundamental, ancorado na arte. É um projeto multidisciplinar e colaborativo. Toma música, razão e emoção — enquanto estímulo, atuação e reação — como pontos-de-partida para o estudo, reflexão e construção crítica sobre o cérebro enquanto sistema dinâmico racional e sensorial no contexto ecológico da manifestação artística. Mas a reflexão fundamental, alinhando pela arte, estende-se ao — e recaí sobre — o ser humano, problematizando-o enquanto organismo, progenitor de tecnologia, artilhado com uma série de mecanismos complexos, sobretudo um cérebro atuador, que lhe permite alterar os contextos onde habita, frui e atua.

Estabelece o palco, onde ocorre a criação e manifestação artística, como laboratório da possibilidade de materialização — em tempo real — de representações que possam denotar aqueles fenómenos, diretamente do cérebro. Isto é, sem usar o corpo como local de possíveis manifestações que os possam representar. Assenta numa visão holística, observando e incluindo o próprio contexto e a ecologia inerente. Simultaneamente, consubstancia-se como reflexão sobre algumas premissas e ações humanas relacionadas com aquilo que preconiza na sua demanda epistemológica. Alinha por dois regimes: um, de suporte, ancorado nas neurociências, outro, fundamental, ancorado na arte. Usa o todo como potencial criativo e provocador estético — emocional e intelectual.

Para o realizar fizemos primeiramente uma pesquisa prévia que nos informou sobre algumas iniciativas científicas e artísticas que procuraram estudar emoções e processos volitivos e denotá-los através de representações, mas onde detetámos lacunas de abordagem, técnicas e metodológicas. Seguidamente, desenhámos e realizámos experiências em laboratório, onde variáveis contextuais, contingentes, foram acauteladas, com o objetivo de analisar e validar a tecnologia EEG/BCI que escolhemos. Depois criámos, materializámos e manifestámos objetos e eventos artísticos, qua narrativas holísticas e estatísticas, que pudessem representar aquela(s) essência(s).

Discutimos e colocámos em perspetiva algumas características do cérebro — e o seu comportamento, e a relação deste com o contexto — que não estão completamente esclarecidas, nem empiricamente nem teoricamente, em nenhum domínio do conhecimento, e o potencial impacto que isso pode ter no desenho experimental. Fizemos também este exercício sobre representações científicas e artísticas e sobre a sua objetividade e subjetividade em várias situações e contextos de produção de conhecimento. Concluímos que, independentemente da complexidade e da potencial subjetividade de alguns dos nossos resultados, é possível criar representações que denotem processos racionais e experiências emocionais cerebrais e a simultaneidade da ecologia contextual e que, ao mesmo tempo, tenham potencial de provocação e questionamento, mesmo que não explícito.

Keywords: Cérebro, Estímulos, Razão/Emoção, EEG/BCI, Representações científicas e artísticas.